Na edição de estreia do podcast “O Inquisidor Passo-fundense”, a vereadora Ada Munaretto (PL) apresentou um panorama detalhado de sua atuação política e das convicções que guiam seu mandato na Câmara Municipal de Passo Fundo. Com uma base eleitoral consolidada no conservadorismo, a parlamentar relembrou que sua entrada na política partidária em 2020 foi uma resposta a um apelo coletivo do grupo “Mulheres com Bolsonaro”, após mais de 25 anos dedicados ao voluntariado social e à assistência a pacientes com câncer.
Uma campanha de baixo custo e base voluntária Um dos pontos de maior destaque na fala da vereadora foi a prestação de contas de sua eleição. Ada revelou ter executado uma campanha “barata e honesta”, custando apenas R$ 7.000,00, sem a utilização de verbas do Fundo Eleitoral. Segundo ela, o resultado nas urnas (1.379 votos) foi fruto de uma mobilização orgânica liderada pelas “tias do Zap” — mulheres que voluntariamente promoveram seu nome via WhatsApp baseadas na confiança construída em décadas de trabalho comunitário. Como forma de valorizar esse apoio, a vereadora mantém um gabinete composto exclusivamente por mulheres, todas oriundas de sua base de apoio voluntária.
Atuação parlamentar e enfrentamento à pandemia Durante a entrevista, Munaretto destacou sua liderança na Comissão Especial da COVID-19. Ela relatou esforços para intermediar a chegada de respiradores e medicamentos essenciais junto ao governo federal e deputados aliados em momentos críticos de desabastecimento. No entanto, a parlamentar criticou a falta de transparência da prefeitura no uso dos recursos destinados à saúde durante a crise sanitária, afirmando que muitos números e relatórios solicitados ao Executivo nunca foram entregues.
Críticas à gestão municipal e pautas ideológicas A vereadora não poupou críticas à administração do prefeito Pedro Almeida, classificando as intervenções urbanas atuais como um “banho de loja” ou “maquiagem”. Ada apontou falhas graves em serviços básicos, citando especificamente a precariedade da iluminação pública e a situação estrutural do Hospital Municipal, onde relatou ter documentado a queda de tetos de gesso em áreas de atendimento.
Fiel aos seus princípios, Ada se posicionou contra o “inchaço” da máquina pública, votando contra a criação de novas secretarias e cargos que considera eleitoreiros. No campo ideológico, destacou a aprovação de moções contra o aborto e projetos que visam a territorialidade de clubes de tiro, reforçando seu papel como a principal representante do bolsonarismo na cidade.
Futuro político Apesar de admitir momentos de frustração com a burocracia e as limitações do cargo legislativo, Ada Munaretto confirmou que é pré-candidata à reeleição. A parlamentar acredita na força da transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro para os candidatos do PL e defende a união da direita para “derrubar o sistema” estabelecido na política local.
A gestão pública, na visão da vereadora, assemelha-se a uma reforma estética em um edifício com a estrutura abalada: gasta-se muito na pintura da fachada para atrair olhares, enquanto os moradores internos sofrem com goteiras e fiações expostas que ninguém parece querer consertar.
